
Foto: Guillermo Garza
Entrevista – Por Kil Abreu e Rodrigo Nascimento
Nesta semana O Último Azul, filme de Gabriel Mascaro, aportou no streaming (Netflix). Junto à leva recente de trabalhos brasileiros premiados em festivais internacionais, o filme chega à telinha respaldado por mais de 200 mil espectadores que o assistiram nas salas, número bem acima da média de público do cinema nacional. O longa teve premiére mundial no Festival de Berlim/2025 e trouxe para o Brasil o Urso de prata, segundo prêmio mais importante da competição. Desde a estreia, vem fazendo uma trajetória incomum: esteve em cerca de 100 festivais, quase sempre com boa recepção crítica.
Tamanho sucesso deve-se certamente a vários fatores, como o argumento, que abre caminho para uma imaginação ao mesmo tempo lírica e ameaçadoramente possível. Trata-se da história de Tereza, moradora de alguma cidade ribeirinha da Amazônia em um Brasil do futuro próximo. Tereza é uma operária de quase 80 anos, vive do emprego em uma empresa que manufatura carne de jacaré. O que seria, espera-se, um final de vida tranquilo, toma outro rumo quando o governo cria uma colônia para onde velhos e velhas naquela idade devem ser enviados. A partir deste mote discute-se o etarismo sob a perspectiva do trabalho “útil” e as demandas de produtividade impostas pelo capital. As coisas mudam quando a personagem decide partir em fuga pelos rios, furos e vilas da região. No caminho encontra, entre outros, os personagens de Rodrigo Santoro, Adanilo e Miriam Socarrás – gente quebrada entre práticas ilegais, amores perdidos e a vida que corre modorrenta como o ciclo das marés, aqui e ali tomada de assalto por algum acontecimento fora da ordem. O elenco, excelente, também funciona como chave de segurança.
Mas é, sem dúvida, o trabalho de Denise Weinberg o que dá suporte para essas qualidades interpretativas e narrativas. Não apenas porque a história é conduzida totalmente sob o ponto de vista de Tereza como também porque a atriz carioca tira o máximo proveito de uma personagem que poderia simplesmente despertar a comoção curiosa. Weinberg faz da septuagenária não só objeto de empatia, mas também de pulsões de vida que atualizam com grande força estados de recusa, compaixão, curiosidade afetiva e decisão pela mudança.
A atriz é uma veterana dos palcos. Uma das fundadoras do grupo Tapa, viveu por vários anos o laboratório privilegiado que é o teatro de grupo, sob a regência de um diretor de peso, Eduardo Tolentino de Araújo. A partir de início dos anos de 1980, com ele, seus companheiros e companheiras de criação conheceu clássicos antigos e modernos. Desde então, esteve sob a direção de vários encenadores e encenadoras de diferentes gerações, como Sérgio Brito, Ariela Goldman, Ticiana Studart, Alexandre Reinecke, Kiko Marques. Interpretou personagens de Nelson Rodrigues, Fassbinder, Plínio Marcos, Antonio Bivar, Tchekhov, Genet, França Junior, Ibsen, Maquiavel. Mais recentemente esteve em cartaz com O testamento de Maria, do irlandês Colm Tóibin sob direção de Ron Daniels. A atuação em tantas frentes valeu a ela os principais prêmios do teatro, como o antigo troféu Mambembe, o APCA e o Shell.
Nesta entrevista ao CENA ABERTA Denise Weinberg fala sobre as questões de fundo e sobre o sucesso de O último azul, a recepção internacional do filme, sobre como concebeu sua personagem em ambientes desafiadores de gravação (em boa parte barcos e rios) e, ainda, sobre sua atividade como formadora de atores – com atalho para um episódio que foi parar nos tribunais, envolvendo a preparadora de elenco Fátima Toledo.
O título do filme de Mascaro remete, na trama, a um caracol que deixa como rastro uma substância azul. Diz-se que, posta nos olhos, cria o poder de previsões. A trajetória de Denise Weinberg já não carece, a esta altura, de prognósticos. Mas nem por isso ela deixa de lançar leituras sobre o futuro das relações sociais. Às vezes esperançosa e desobedientemente, como uma Tereza; às vezes com visada realista e desencantada sobre a desordem atual do mundo.
O Último Azul foi considerado um dos pontos altos do último Festival de cinema de Berlim. Fale um pouco sobre as suas impressões a respeito da repercussão por lá. Você já intuía algo assim?
Nós não intuíamos nada. Quando chegou o convite o Gabriel Mascaro, diretor do filme, ele me disse: “Olha isso!”. Eu aprendi com a idade a não ter expectativa alguma. Já no segundo dia de festival houve uma coletiva de imprensa pela manhã. Estava lá o Rodrigo Fonseca, um jornalista brasileiro de cinema. Ele chegou perto da gente no final e disse: “Olha, eu nunca vi isso. As pessoas ficaram alucinadas com o filme, com o trabalho dos atores, com o teu trabalho. Foi uma coisa deslumbrante”. Isso foi muito legal, pois o elogio ao filme foi unânime na imprensa internacional: jornais americanos, ingleses, italianos, franceses, alemães. Lá tem um ranking e todo dia sai uma cotação. Nós mantivemos o primeiro lugar do início ao fim, com a maior nota. À tarde teve a sessão para o público. Duas mil e quinhentas pessoas. [Então] a fé começou a crescer, não é?
Como ocorreu o convite para o seu papel no filme?
Não conhecia o Gabriel Mascaro. Tinha visto o filme dele, Boi Neon, e só isso. Quando ele me mandou o roteiro, eu disse: “quero fazer”. Fiquei fascinada pela Tereza, minha personagem, quando li [o roteiro] na primeira vez. Intuí que tinha um trabalho difícil, importante, sobre um assunto delicado.
O que você pode dizer sobre Tereza, a sua personagem?
[Tereza] é uma personagem-presente para qualquer atriz. No filme, o governo baixa um decreto dizendo que idosos a partir de 75 anos têm que sair de suas casas para serem recolhidos a uma “colônia”. Ela é uma mulher que tem uma vida simplérrima, em uma cidadezinha da Amazônia. Trabalha em uma indústria de empacotamento de carne de jacaré. Por causa dessa Lei, é mandada embora, para ir para a “Colônia”. E ela simplesmente não quer ir. Aí vem a coisa linda da história. Ela se rebela: “Não vou, não vou, eu ainda quero fazer muita coisa”. Ela não fala, mas elabora isso, porque é uma mulher de poucas palavras, muito rústica. Nessa elaboração, ela foge pelos rios, igarapés da Amazônia, e vão entrando pessoas na vida dela – [entre elas] o personagem do Rodrigo Santoro, um barqueiro de coração partido que transporta mercadorias duvidosas. É um boat movie. Tem os road movies, mas esse é um boat movie, pois a gente só filmou em barco. Era tudo nos rios, com pouquíssimas cenas em solo. Foi uma experiência fantástica.
Como você a concebeu?
Preparei a Tereza em casa, antes de partir, porque tinha semana e meia de ensaio e depois a gente rodava. Preparei-me psicologicamente porque sabia que seria uma porrada. Foi um trabalho intenso, em um lugar difícil, um calor terrível. Trabalhava doze horas por dia acordando às 5h da manhã e acabando às 6h da tarde durante um mês, um mês meio. Foi um mergulho que eu adoro fazer. Isso vale a pena no nosso trabalho, essas experiências viscerais.
Me preparo muito com o que a pessoa fala, sabe? O que é que aquela personagem pensa, como é que ela raciocina? Preciso entender o jeito. Não é a forma, é a embocadura que ela tem, assim como no teatro existe a embocadura do Nelson Rodrigues, a embocadura do Shakespeare, a embocadura do Plinio Marcos, não é? É isso que eu crio para humanizar a personagem, para entender como é que ela pensa, como é que ela raciocina, como é que ela age diante de situações que eu sabia que ia passar. A gente [também] lida com uma corda bamba ali, com o improviso, porque no barco, no rio, tudo é possível. E há muita perplexidade, porque a Amazônia é um prato cheio para você ficar perplexo. A natureza é o set. Onde a gente estava contribuiu profundamente para criação de todos os personagens. É completamente diferente de você ficar entre quatro paredes, ensaiando, e você ir para o Solimões, para o Rio Negro. É outra história.
Em uma passagem do filme, há um anúncio do imaginado governo neste Brasil adiante e distópico: “O futuro é para todos”. À luz da trama, trata-se evidentemente de uma ironia macabra porque a fita trata em verdade da segregação social, levada ao paroxismo através da metáfora etarista. Como pensa essa metáfora se ela for estendida a outros atores sociais, como os próprios artistas, quando já não podem colaborar com o mundo da produtividade?
“O futuro é para todos”. O filme começa praticamente assim. E eu faço uma associação. Eu sou da época do “Pra frente Brasil”. Eu era bem jovem, adolescente. Copa do Mundo, “pra frente Brasil!”. Na ditadura existia esse pensamento, de que aquilo era para o bem de todos. Mas não dá para ser[visto] só como metáfora, é uma realidade. As pessoas estão sofrendo. No Ocidente quando o velho não produz dinheiro, não produz alguma mercadoria, um produto, ele não interessa mais e então é jogado de lado. No Oriente é o oposto, não é? O indígena também tem isso. Numa aldeia, o velho é o pajé, é o xamã; é o cara da sabedoria, quem as pessoas vão escutar.
A Tereza traz o desejo, a vontade, o querer, o amor, a curiosidade, coisas que nós estamos perdendo. Nós estamos ficando opacos, já quase sem reação. Acho que tem uma coisa muito bonita nesse filme, que é: você vê a desgraça toda, mas sente possibilidade entender certas coisas, sabe? E não desesperar.
O que que é mundo da produtividade? É o capitalismo, é você trabalhar numa fábrica, como a Teresinha trabalhava lavando sangue de jacaré.

Foto: divulgação
No mesmo festival de Berlim o filme de Lúcia Murat, Hora do Recreio, também foi premiado. Há a premiações de Ainda Estou aqui no Oscar. Podemos dizer sem esforço que é uma boa fase do cinema nacional ao menos quanto à visibilidade. Fale sobre o teu sentimento diante desse quadro tomando como referência os últimos anos da vida brasileira, especialmente no aspecto da chamada “guerra cultural”.
Eu acho que isso que está acontecendo, esse fenômeno de o Brasil estar nas manchetes pela cultura, por causa do cinema brasileiro, é uma delícia. É um prazer, sabe? E eu acho isso muito importante porque nós somos um país colonizado. A gente não tem essa experiência. Então, o que está acontecendo no cinema é de um profundo conhecimento da história do Brasil. [O filme] faz uma crítica desse autoritarismo em cima das ideias do povo.
O Último Azul é dirigido por um cineasta pernambucano, com um elenco cheio de atores e atrizes da Amazônia, como o Adanilo Reis e Rosa Malagueta. Sabemos que parte considerável do cinema brasileiro contemporâneo, sobretudo o chamado cinema autoral, é feito por artistas do Nordeste e do Norte. O que pode nos dizer sobre a “periferia”, retomada como Centro nas telas?
Eu acho que no cinema brasileiro, de uns tempos para cá, as melhores produções estão no Nordeste. Eles têm uma coisa que é muito diferente do Sudeste, eu acho. Eles esburacam mais, não ficam só na primeira camada, sabe? Estudam para caramba e trazem referências robustas. A referência deles não é nada televisiva – é de cinema. Trabalhar com eles é extremamente interessante.
Eu gosto do artesanato, da pesquisa, eu gosto de ensaiar, eu gosto de descobrir. O Brasil é muito grande, lá em cima é uma outra coisa, é outro mundo. Não dá para fazer do Brasil uma coisa homogênea. E na Amazônia tem de tudo, tem japonês, tem judeu, tem russo, tem grego.
Por outro lado, mesmo em um filme com trama localizada na Amazônia o protagonismo dos papéis é reservado a atores sudestinos, como você e Rodrigo Santoro. Pensando na pergunta anterior, o que você acha das questões da representatividade no cinema e no teatro?
Existe um fator. É que se o meu papel, por exemplo [fosse feito] por uma pessoa de lá, primeiro é difícil você achar uma atriz com a minha idade lá, que ainda seja atriz… E se tivesse que pegar uma pessoa de lá e treinar, fazer, enfim, uma preparação forte, o tempo seria inviável porque o dinheiro não dava para cobrir. Além do que, o Rodrigo Santoro é um nome que puxa. Eu vi isso em Berlim, sabe? Ele puxa. Ele é uma super pessoa. Foi uma delícia fazer com ele.
Então, ele [Gabriel Mascaro] catou, não veio direto a mim. Quem dá conta? Como escolher? Os atores locais, a princípio ficaram assim com essa pergunta: “Por que tem que trazer do Sudeste”? Mas depois, vendo o trabalho todo, eles foram entendendo e aplaudiram. Graças a Deus nos demos bem. Eu acho que o casting é perfeito. Está tudo certo.
Como você avalia convites para trabalhos no cinema e no teatro? O que mais te mobiliza em um chamado para criar uma personagem?
Bom, o primeiro critério para que eu faça um trabalho é o roteiro ou a peça; ou seja, é o texto. Eu sou uma atriz da palavra. Eu me mobilizo para trabalhar quando é uma coisa boa, que eu quero dizer. Foi como nesse filme. Você diz: “Caramba, que que é isso? Isso é muito bom. Esse é o primeiro critério. O segundo critério é com quem. Quem são as pessoas? Com quem eu vou fazer essa viagem? Sou do coletivo. Passei 20 anos no grupo Tapa. Só sei trabalhar dessa maneira, não sei trabalhar sozinha.
Você é fundamentalmente uma atriz de teatro, depois de cinema e, mais acidentalmente, de televisão. Sem cair naquele raciocínio sobre “o que você prefere”, fale brevemente sobre as diferenças gerais para o trabalho do ator nesses meios. Elas existem mesmo, são fundamentais a ponto de exigir um método de interpretação para cada veículo?
A primeira coisa que sempre falo para os meus alunos é: você tem que saber onde é que você está, em que mídia você está. O teatro é que forma o ator. O teatro lapida tua alma, vai te forjando. Uma pessoa de teatro pode fazer cinema e pode fazer televisão. Para uma pessoa de televisão é mais difícil fazer teatro. O teatro não tem corte, não tem edição, você não pode repetir, você tem que contar aquela história inteira e você tem que manter a plateia. E há a interpretação para cinema, que é uma interpretação mais contida. O close é uma coisa mais segura, pois no cinema você tem que concentrar. No teatro você pode espalhar. Com o teu corpo, com teus vetores, etc. No teatro você tem um retorno energético que também é audível: o riso, o choro… Você ouve aquela a respiração das pessoas. Isso é genial.

Foto: Ronaldo Gutierrez
Você é, além de uma atriz que está no primeiro time de intérpretes brasileiros, uma professora de teatro, uma formadora de outros novos artistas. Convivemos durante um tempo na Escola Livre de teatro de Santo André e vi de perto o cuidado com que você lida com artistas em formação. O que você apontaria como o fundamental, do ponto de vista pedagógico, na formação de atrizes e atores?
Essa coisa pedagógica é um tema que me atrai muito. Dar aula me alimenta muito. E eu também reelaboro coisas. Acho que o fundamental no ponto de vista pedagógico é incentivar o futuro ator a estudar, a ler, a ir ao cinema, ao teatro. Sinto quanto ao ator que está se formado agora que a falta de referências é assustadora. Quem dá aulas sabe do que eu estou falando.
Eu ouvi falar que na Escola Livre [Escola Livre de teatro de Santo André], em uma aula sobre o teatro de Shakespeare, uma aluna levantou e disse para o professor assim: “Olha, vou-embora, porque esse Shakespeare não me representa”. Uau. Entendeu o nível? A ignorância virou uma chave violenta. É assustador isso. [Os mais jovens] querem falar da sua bolha, quando a formação é o contrário: você tem que ver lá o universo do Dostoiévski para entender o que que é a vida. O discernimento só vem com conhecimento. Sem conhecimento você não tem discernimento nenhum, você come papel achando que é pão.
O fundamental no ponto de vista pedagógico é criar o interesse para estudar, para estimular a curiosidade amortecida.
Ainda nessa área dos treinamentos e preparações (ou de uma pedagogia às avessas, como queira), você viveu um episódio que repercutiu no mundo artístico, durante a preparação de atores para o filme Linha de Passe, do Walter Sales. Em função do processo de trabalho proposto, você chamou a preparadora de elenco, Fátima Toledo, de torturadora. Ela te processou, a justiça te deu ganho de causa. Esta passagem tem detalhes interessantes. Entre eles o fato de que embora você tenha sido apoiada por muitos colegas de classe, uma parte dos trabalhadores e trabalhadoras do teatro e do cinema – inclusive o próprio Moura – vieram a público prestar solidariedade não a você, mas à Fátima. Como avalia a repercussão desse episódio hoje?
Isso veio à tona porque eu vi uma entrevista com Wagner Moura no Roda Viva na qual ele elogia a Fátima Toledo como sendo uma grande preparadora, a melhor coisa que existe. Aí eu não aguentei e fui para rede social. Não me arrependo de nada, graças a Deus que eu fiz isso. Depois eu constatei um grande bem para dezenas de pessoas que foram abusadas, que foram afetadas por um ser humano que se diz “preparadora de elenco”.
Ela sequelou muitas pessoas. Eu vi e vivi isso. Ninguém pode botar o pé na tua nuca, como botaram na minha, e falar: “Diz que você é uma merda”. E isso a troco de nada, de uma teoria, de um método. Que método? Vi pessoas completamente arrebentadas, achando que para fazer cinema brasileiro tinha que apanhar, tinha que levar soco, quebrar o nariz. Acho que ninguém tem o direito de fazer isso. Em nome de nada, muito menos para fazer cinema. Sou contra a agressividade moral, física. Eu paraliso. Tanto que eu pedi para sair do filme. Aí o Walter, sábio, disse: “Não, não. Faz sem a preparação”. Eu disse: “tá bom”. Mas aí eu digo: “Não, isso não vai passar assim”.[1]
Voltando a O Último Azul: o diretor Gabriel Mascaro define o filme como “uma história inusitada, que fala de um Brasil suspenso numa realidade fantástica, onde há muito espaço para a fábula e a fantasia”. Na sua opinião, diante dos impasses atuais da nossa sociabilidade, há espaço para pensar na mudança, na reversão dessa distopia em algum tipo de bem-estar geral?
Eu vou te ser sincera, não acredito em uma mudança. Eu acho que a gente foi longe demais. Eu sou bióloga. E a biologia me deu uma lógica. Você nasce, cresce, vive e morre. Tudo acaba. Acho que o ser humano esticou a corda, o capitalismo gerou uma coisa horrorosa, uma gana de poder, umas pessoas horrorosas. Acho que agora a gente está numa descida desenfreada. Tudo se renova, claro, tudo se transforma. O problema é que o homem já não sabe mais frear o carrinho de rolimã. Então é inevitável, é inexorável. Vai acabar, vai sofrer, vai ter fritura, vai ter calor, vai ter problema com os alimentos. Penso no meu neto e em quem está começando… Uau, coitadinhos, vão enfrentar uma pedreira, não é? Olha a direita tomando conta do mundo inteiro, pedindo corda para se enforcar. Até que aconteça alguma coisa. E eu acho que virá da natureza. A natureza já começou a explodir.

Foto: Ronny Hartmann
[1] Denise Weinberg processou judicialmente a preparadora de elenco Fátima Toledo e teve ganho de causa.
