Conflito e invisibilidade – britânicos do Quarantine convidam artistas brasileiros para residência na MITsp

Promover o encontro entre os que talvez jamais se encontrassem, a partir de temas como invisibilidade, contradição, diversidade e até mesmo dissidência ideológica. É o que o grupo britânico Quarantine vem provocar e vivenciar no Brasil durante a MITsp – Mostra internacional de teatro de São Paulo. Provavelmente interessada no momento de aporia do Brasil sob o comando conservador, com impasses que parecem insolúveis na área da convivência, a MIT vai oferecer residência multidisciplinar envolvendo o grupo, artistas e não artistas, com apresentação pública ao final, em forma de “instalação performativa”. A proposição lançada é a seguinte: “Olho no olho: quem consegue ser visível na São Paulo de hoje?”.

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O horizonte negro do teatro

Nesta entrevista, CENA ABERTA ouviu quatro artistas que se tornaram referência no contexto da cena negra paulistana: a dramaturga Dione Carlos, o diretor Eugênio Lima, o diretor e dramaturgo José Fernando Peixoto de Azevedo e o ator e educador Saloma Salomão. Tal cena não é, evidentemente, uma novidade histórica, mas uma ocupação dos palcos em novas bases – na emergência das questões identitárias e questionadoras dos lugares de classe. Em geral politizada, essa cena avoluma-se, marca posição, pauta a discussão e procura inventar os termos próprios do discurso estético.

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A categoria é… Pose!

Convidamos para escrever sobre estas e outras questões da série, a dramaturga Ave Terrena e o ator e dramaturgo Ronaldo Serruya. Pose é como um resumão de questões caras à vida trans nas últimas décadas, mas preparado com delicadeza, humor e coragem. Ainda que não seja uma experiência inovadora com a linguagem, é impossível não se deixar cativar pelas idas e vindas, terríveis, felizes, melancólicas ou francamente idealizadas de Blanca (MJ Rodriguez), Elektra (a maravilhosa Dominique Jackson) e os seus e as suas.

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Resistir ao tempo morto

Há dias que não morro é um espetáculo que insiste em nos colocar diante da morte, nas suas mais variadas formas. Logo de início ela está ali, sólida. A peça não começa sem que antes tenhamos que saltar o corpo de um palhaço estendido na soleira da porta de entrada. O neon colorido que toma conta da antessala dá um brilho aterrorizador ao conjunto, instalando uma alegria postiça que contrasta com o corpo sem vida do saltimbanco. Entramos no teatro com a sensação de que será preciso não só encarar a morte, mas, de algum modo, ultrapassá-la.

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Gardênia celebra o amor que sabe esperar

Se em geral nos romances de García Marquez é o dado local e histórico que, cruzado com o mito, remete às generalizações poéticas em que se assenta o realismo sui generis que popularizou o autor, neste romance, O amor nos tempos do cólera, parece acontecer o inverso. Sem perder de vista o contexto histórico (os “tempos do cólera” em uma cidade latina no século XIX) é a mitologia pessoal que ilumina e dá perspectiva ao entorno. A percepção fina desta inversão é o que parece mover a dramaturgia de Gardênia, assinada por Ana Roxo. A incisão feita no romance extrai dele, e de uma maneira intencionada, a linha mestra que no espetáculo aparece recortada: a relação resistente entre Florentino Ariza e Fermina Daza e a cronologia de um amor em tempo de espera. Todo o resto, do ambiente às outras personagens, é aproveitado em apoio a este eixo.

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